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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

São Rafael Arnáiz Barón – O olhar fixo no Senhor/ San Rafael Arnáiz Barón – La vista fija en Él




São Rafael Arnáiz Barón

O olhar fixo n’Ele

“Agora compreendo muito bem esse caminho tão estreito que assinala São João da Cruz e que está entre outros dois, nos quais diz: oração, contemplação, consolos espirituais, dons da terra, dons do céu, etc. Pois bem, entre esses dois caminhos está o que eu digo e que somente diz nada... nada... nada...

Que difícil é chegar a isso. E para nós que andamos nos princípios, que fácil é equivocar-se, e quantas vezes queremos encontrar a Deus onde não está. E quando cremos haver lhe encontrado, nos encontramos com nós mesmos... Mas não há que desanimar pois tudo permite Deus para o bem da alma e, sem conhecer o fracasso, não se saboreia o êxito; e antes de aproximar-se de Deus não há mais remédio a não ser despojar-se de tudo e permanecer no nada, como diz São João da Cruz.

Pois bem, nada de novo te digo, e que Deus me perdoe o querer tratar coisas tão altas quando ainda, sem saber engatinhar, já quero voar... Esse tem sido meu pecado e continua sendo... Que importa se estamos acima ou abaixo, perto ou longe de Deus? Dirijamos a Ele nossos olhares e unamo-nos para louvar-lhe, uns na vida monástica, outros nas missões, outros no mundo, uns de uma maneira e outros de outra. Que importa? É Ele que plenifica tudo e se nos olhamos uns aos outros perdemos tempo... Muito formosa é às vezes a criatura mas sua visão nos distrai do Criador.

Devemos seguir com o olhar fixo n’Ele, quer estejamos entre santos quer entre pecadores... Nós não somos nada; nada valemos nem para nada servimos quando estamos distraídos e não fazemos caso do Senhor. Não percamos, então, tempo, e se com um pequeno sacrifício, com uma oração ou com um ato de amor, agradamos ao Senhor, então que possamos dizer que pelo menos temos servido para algo, que é para dar a Ele maior glória. Essa deve ser nossa única ocupação e nosso único desejo”.


São Rafael Arnáiz Barón
Carta de 23 de julho de 1934 a sua tia, Duquesa de Maqueda
Obras Completas, pp.223-238


EN ESPAÑOL:


São Rafael Arnáiz Barón

La vista fija en Él

“Ahora comprendo muy bien ese camino tan estrechito que señala san Juan de la Cruz, y que está entre otros dos, en los cuales dice: Oración, contemplación, consuelos espirituales, dones de la tierra, dones del cielo, etc. Pues bien, entre esos dos caminos, está el que yo digo y que solamente dice, nada... nada... nada...

Qué difícil, tía María, es llegar a eso. Y para los que andamos en los principios, qué fácil es equivocarse, y cuántas veces queremos encontrar a Dios donde no está. Y cuando creemos haberle encontrado, nos encontramos con nosotros mismos..., pero no hay que desanimarse, todo lo permite Dios para bien del alma, y sin conocer el fracaso, no se saborea el éxito, y antes de acercarse a Dios no hay más remedio que despojarse de todo y quedarse en nada, como dice san Juan de la Cruz.

Pero bueno, nada nuevo te digo, y que Dios me perdone el querer tratar cosas tan altas cuando aún sin saber gatear, ya quiero volar... Ese ha sido mi pecado y lo sigue siendo...
Qué más da que estemos arriba o abajo, cerca o lejos de Dios; dirijamos a Él nuestras miradas y unámonos para alabarle, unos en la vida monástica, otros en las misiones, otros en el mundo, unos de una manera y otros de otra..., ¿qué más da? El lo llena todo y si nos miramos unos a otros, perdemos el tiempo... Muy hermosa es a veces la criatura, pero su vista nos distrae del Criador.

Debemos seguir con la vista fija en Él, lo mismo estando entre santos que entre pecadores... Nosotros no somos nada; nada valemos, ni nada servimos cuando estamos distraídos y no hacemos caso del Señor. No perdamos, pues, el tiempo, y si con un pequeño sacrificio, con una oración o con un acto de amor, agradamos al Señor, entonces podemos decir, que por lo menos hemos servido para algo, que es para darle a Él mayor gloria. Esa debe ser nuestra única ocupación y nuestro único deseo”.


São Rafael Arnáiz Barón
Carta del 23 de julio de 1934 a su tía, Duquesa de Maqueda
Obras Completas, pp.223-238



terça-feira, 3 de novembro de 2009

SÃO RAFAEL ARNÁIZ/ SAN RAFAEL ARNÁIZ – OCULTO EM DEUS/ OCULTO EN DIOS





14 de dezembro de 1936 - 25 anos
Mi cuaderno - San Isidro


”Um dos encantos, melhor dizendo, consolos da vida monacal, é o estar oculto aos olhares do mundo. Isto o compreenderá quem gostar de meditar na vida de Cristo. Para dedicar-se a uma arte, para aprofundar-se em uma ciência, o espírito necessita solidão e isolamento, necessita recolhimento e silêncio. Agora, para a alma enamorada de Deus, para a alma que já não vê mais arte nem mais ciência que a vida de Jesus, para a alma que encontrou na terra o tesouro escondido, o silêncio não lhe basta, nem seu recolhimento em solidão. É necessário ocultar-se de todos, é necessário ocultar-se com Cristo, buscar um lugar na terra onde não cheguem os olhares profanos do mundo, e alí estar a sós com seu Deus.

O segredo do Rei como que se mancha e perde o brilho ao ser revelado. Esse segredo do Rei há que se ocultar para que ninguém o veja. Esse segredo que muitos crêem ser comunicações divinas e consolos sobrenaturais, esse segredo do Rei que invejamos nos Santos, se reduz muitas vezes a uma Cruz.

Não coloquemos a luz debaixo de uma vasilha, nos diz Jesus no Evangelho. Divulguemos as grandezas de Deus. Façamos chegar ao coração de nossos irmãos os tesouros de graças que Deus derrama abundantemente sobre nós. Divulguemos aos quatro ventos nossa fé, enchamos o mundo de gritos de entusiasmo por termos um Deus tão bom. Não nos cansemos de pregar seu Evangelho e dizer a todos que nos queiram ouvir, que Cristo morreu amando aos homens, cravado em um madeiro. Que morreu por mim, por ti, por eles... E se nós deveras lhe amamos, não lhe ocultemos, não ponhamos a luz que pode iluminar a outros, debaixo de uma vasilha.

Mas em troca, bendito Jesus, levemos, bem dentro e sem que ninguém se inteire, esse divino segredo... Esse segredo que Tu dás às almas que mais te querem... Essa pequenina parte de tua Cruz, de tua sede, de teus espinhos.

Ocultemos no último lugar da terra nossas lágrimas, nossas penas e nossos desconsolos. Não enchamos o mundo de tristes gemidos, nem levemos a ninguém nem a mais pequenina parte de nossas aflições.

Sejamos egoístas para sofrer e generosos na alegria. Façamos a felicidade dos que nos rodeiam e não turvemos o ambiente com caras tristes quando Deus nos mande alguma prova.

Ocultemo-nos para estar com Jesus na Cruz. Não busquemos mitigação à dor no consolo das criaturas, pois estaremos fazendo duas coisas que não são ruins, mas que não são perfeitas. Primeiro, ao deixar a Deus pelo que não é Deus, pois não é consolo seu o que Dele não vem, e se Ele não quer dá-lo, ao buscar fora Dele, perdemos a Ele, e também perdemos muitas vezes o mérito do sofrimento. Segundo, em nosso egoísmo, fazemos ou pelo menos queremos fazer participantes aos demais, do nosso sofrimento, para assim aliviar-nos, e conseguirmos com isso alívio fictício e falso, pois se te dói um dente, te seguirá doendo quer o digas ou não.

Em resumo, quase sempre é um ato de egoísmo e também falta de humildade, dar importância ao nosso sofrimento, como se por ser nosso fosse importante. Em troca, não buscando nada nas criaturas e sim tudo em Deus, se chega a amar a Cruz, mas a Cruz a sós e escondido... Na Cruz, ocultos com Deus e longe dos homens.

Ocultemos nossa vida, se nossa vida é penar. Ocultemos o sofrer, se o sofrer nos causa pena. Ocultemo-nos com Cristo para só a Ele fazer-lhe partícipe do que, pensando bem, só é Dele: o segredo da Cruz.

Aprendamos de uma vez, meditando em sua vida, em sua Paixão e em sua morte, que só há um caminho para se chegar a Ele..., o caminho da Santa Cruz”.


São Rafael Arnáiz Barón
Mi cuaderno, 781-84



EN ESPAÑOL:



14 de diciembre de 1936 - 25 años
Mi cuaderno - San Isidro


”Uno de los encantos, mejor dicho, consuelos de la vida monacal, es el estar oculto a las miradas del mundo. Esto lo comprenderá quien guste meditar en la vida de Cristo.
Para dedicarse a un arte..., para profundizar en una ciencia, el espíritu necesita soledad y aislamiento, necesita recogimiento y silencio. Ahora bien, para el alma enamorada de Dios, para el alma que ya no ve más arte ni más ciencia que la vida de Jesús, para el alma que ha encontrado en la tierra el tesoro escondido, el silencio no le basta, ni su recogimiento en soledad. Le es necesario ocultarse a todos, le es necesario ocultarse con Cristo, buscar un rincón de la tierra donde no lleguen las profanas miradas del mundo, y allí estarse a solas con su Dios.

El secreto del Rey se mancha y pierde brillo al publicarse. Ese secreto del Rey es el que hay que ocultar para que nadie lo vea. Ese secreto que muchos creerán son comunicaciones divinas y consuelos sobrenaturales..., ese secreto del Rey que envidiamos en los Santos, se reduce muchas veces a una Cruz.

No pongamos la luz bajo el celemín, nos dice Jesús en el Evangelio. Publiquemos las grandezas de Dios. Hagamos llegar al corazón de nuestros hermanos los tesoros de gracias que Dios derrama a manos llenas sobre nosotros. Publiquemos a los cuatro vientos nuestra fe, llenemos el mundo de gritos de entusiasmo por tener un Dios tan bueno. No nos cansemos de predicar su Evangelio y decir a todo el que nos quiera oír, que Cristo murió amando a los hombres, clavado en un madero... Que murió por mí, por ti, por aquél... Y si nosotros de veras le amamos, no le ocultemos..., no pongamos la luz que puede alumbrar a otros, debajo de un celemín.

Mas en cambio, bendito Jesús, llevemos allá adentro y sin que nadie se entere, ese divino secreto... Ese secreto que Tú das a las almas que más te quieren... Esa partecica de tu Cruz, de tu sed, de tus espinas.

Ocultemos en el último rincón de la tierra nuestras lágrimas, nuestras penas y nuestros desconsuelos... No llenemos el mundo de tristes gemidos, ni hagamos llegara nadie la más pequeña parte de nuestras aflicciones.

Seamos egoístas para sufrir y generosos en la alegría. Hagamos la' felicidad de los que nos rodean y no enturbiemos el ambiente con caras tristes, cuando Dios nos mande alguna prueba.

Ocultémonos para estar con Jesús en la Cruz; no busquemos mitigación al dolor, en el consuelo de las criaturas, pues haremos dos cosas que no son malas, pero que no son perfectas. Primero, al dejar a Dios por lo que no es Dios, pues no es consuelo suyo lo que de El no viene, y si El no quiere darlo, al buscarlo fuera de El, le perdemos a El, y también perdemos muchas veces el mérito del sufrimiento. Segundo, hacemos en nuestro egoísmo, o por lo menos queremos hacer participar a los demás, de lo nuestro, para así descargarnos, y conseguimos con esto, alivio ficticio y falso, pues si te duele una muela, te seguirá doliendo lo digas o no.

En resumidas cuentas, casi siempre es un acto de egoísmo y también falta de humildad, dando importancia a lo tuyo, como si por ser tuyo fuera importante. En cambio, no buscando nada en las criaturas y sí todo en Dios, se llega a amar la Cruz, pero la Cruz a solas y en escondido... En la Cruz oculto con Dios y lejos de los hombres.

Ocultemos nuestra vida, si nuestra vida es penar. Ocultemos el sufrir, si el sufrir nos causa pena. Ocultémonos con Cristo para sólo a El hacerle partícipe de lo que, mirándolo bien, sólo es tuyo: el secreto de la Cruz.

Aprendamos de una vez, meditando en su vida, en su Pasión y en su muerte, que sólo hay un camino para llegar a El..., el camino de la Santa Cruz”.


San Rafael Arnáiz Barón
Mi cuaderno, 781-84



CANONIZAÇÃO/CANONIZACIÓN RAFAEL ARNÁIZ - EUCARISTIA DE AÇÃO DE GRAÇAS / MISA ACCIÓN DE GRACIAS





MISSA - EUCARISTIA DE AÇÃO DE GRAÇAS PELA CANONIZAÇÃO DO IRMÃO RAFAEL ARNÁIZ


O Cardeal Rouco destaca que Rafael Arnáiz “é um modelo realista para a juventude de hoje, tentada por ideologias”

O Arcebispo de Madri, Cardeal Antônio María Rouco Varela presidiu na Basílica Vaticana de São Pedro a Eucaristia de ação de graças na Basílica Vaticana pelo novo Santo Rafael Arnáiz, de quem disso que é um exemplo para os jovens, os quais só recebem mensagens de êxito fácil e estão tomados de solidão e vazio interior que não encontram respostas nas propostas de poder ou das ciências deste mundo. São “jovens que no fundo tem sede do Deus vivo”, alertou.

Em sua homilia, o Cardeal destacou que São Rafael Arnáiz viveu sempre “no amor de Deus, no caminho de renuncia como Jesus, de humildade, caminho que é o do amor do Crucificado e Ressuscitado, que leva à gloria, consciente de que as penas da vida são suaves cadeias que nos unem a Jesus”.

Comentou que ele “é um jovem de hoje” e que, embora tenha sido canonizado, sua vida “é do século XX”. De resto, morreu às vésperas da segunda guerra mundial, quando estava já terminando a guerra civil. “E esse tempo –disse o Cardeal- é o nosso, continua sendo o nosso”.

Da vida de São Rafael Arnáiz, manifestou que está imersa na experiência humana e espiritual de nosso tempo: viveu em sua juventude uma grande descoberta de Cristo como Salvador do homem, e o viveu com todo o seu ser, com toda sua vida, até com seu corpo; viveu identificando-se com a cruz e o viveu como uma resposta não só para sua vida - para toda a grande problemática que ele atravessava e sentia -, mas como uma resposta para os jovens de então, traídos y levados por ideologias muito radicais, todas anticristãs, mais ainda, atéias, que apresentavam aos homens uma espécie de projeto de vida configurado pelo ideal do super-homem que estava na moda”.

O Cardeal recordou as palavras que o Irmão Rafael dirigiu aos jovens de então: "Busquem o caminho de Cristo, busquem-no e vivam-no”. Não eram conhecidas por muitas pessoas então, mas sua influência se produziu em seu entorno imediato e certamente foi enorme na Trapa”.

Além disso, afirmou que é possível aproximar-se facilmente da pessoa do Irmão Rafael através de seus escritos e de quem o conheceu ou seguiu, pois ele “é também hoje uma resposta para os jovens de nosso tempo, que igualmente são tentados fortemente por ideologias e ideais de vida que no fundo giram também em torno do super-homem, um super-homem relativista, mais anárquico, mais afeito a uma forma de viver a liberdade que se converte em um ídolo que os destrói”.

Aos jovens de hoje, diz: "Tenham o caminho do amor aberto, o caminho da vida, o caminho da glória. Naturalmente, assumindo tudo que são e têm, primeiro de debilidade e pecado, de fragilidade física, mas também de buscadores de verdade e de felicidade". "Por isso São Rafael é de uma grande atualidade", reafirmou o Arcebispo de Madri, o qual comentou que Rafael será um dos co-patronos da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de 2011, pois, reiterou, "é um jovem deste tempo, portanto o teremos muito em conta na preparação e nas catequeses das Jornadas. E claro, em nossa oração".

Com esta referência concluiu, o Cardeal Rouco, a sua homilia na Basílica Vaticana, pedindo a intercessão de São Rafael Arnáiz, "jovem da nossa Espanha, de nossos dias», para que a JMJ «seja acontecimento de graça para todos os jovens» e que «tenham o ardor das primeiras testemunhas do Evangelho, firmes na fé».


Cardeal Antônio María Rouco Varela
Analisis Digital



EN ESPAÑOL:



MISA - EUCARISTÍA DE ACCIÓN DE GRACIAS POR LA CANONIZACIÓN DEL HERMANO RAFAEL

El Cardenal Rouco destaca de san Rafael Arnáiz que “es un modelo realista para la juventud de hoy, tentada por ideologías”


El Arzobispo de Madrid, Cardenal Antonio María Rouco Varela, presidió en la Basílica Vaticana de San Pedro la Eucaristía de acción de gracias en la Basílica Vaticana por el nuevo santo Rafael Arnáiz, de quien dijo que es un ejemplo para los jóvenes, quienes sólo reciben mensajes de éxito fácil y están colmados de soledad y vacío interior que no encuentra respuestas en las propuestas del poder o de las ciencias de este mundo. Son “jóvenes que en el fondo tienen sed del Dios vivo”, alertó.

En su homilía, el Cardenal destacó que san Rafael Arnáiz vivió siempre “desde el amor de Dios; el camino de renuncia, como Jesús; de humildad; camino que es el del amor del Crucificado y Resucitado, que lleva a la gloria, consciente de que las penas de la vida son suaves cadenas que nos unen a Jesús”.

Comentó de él que “es un joven de hoy” y que su vida, aunque fuera canonizado horas antes, “es del siglo XX”. De hecho, murió en vísperas de la Segunda guerra mundial, cuando estaba ya concluyendo la guerra civil. “Y ese tiempo –dijo el Cardenal- es el nuestro, sigue siendo el nuestro”.

De la vida de san Rafael Arnáiz, manifestó que está inmersa en la experiencia humana y espiritual de nuestro tiempo: vivió en su juventud como un gran descubrimiento de Cristo como Salvador del hombre, y lo vivió con todo su ser, con toda su vida, hasta con su cuerpo; lo vivió identificándose con la cruz, y lo vivió como una respuesta no sólo para su vida -para toda la gran problemática que él atravesaba y sentía,- sino como una respuesta para los jóvenes de entonces, traídos y llevados por ideologías muy radicales, todas anticristianas, más aún, ateas, que presentaban a los hombres una especie de proyecto de futuro para sus vidas configurado por el ideal del superhombre, que estaba de moda”.

El Cardenal recordó las palabras que el Hermano Rafael dirigió a los jóvenes de aquel entonces: "Buscad el camino de Cristo, lo busca y lo vive”. No era conocido por mucha gente entonces, pero su influencia se produjo en su entorno inmediato y por supuesto fue enorme en la Trapa”.

Además, afirmó que es posible acercarse a su figura fácilmente a través de sus escritos, y de quienes le han conocido o seguido, pues “es también hoy una respuesta para los jóvenes de nuestro tiempo quienes igualmente son tentados fuertemente por unas ideologías e ideales de vida que en el fondo giran también en torno al superhombre, un superhombre relativista, más anárquico, más adicto a una forma de vivir la libertad que se convierte en un ídolo que los destruye”.

A los jóvenes de hoy les dice: "Tenéis el camino del amor abierto, el camino de la vida, el camino de la gloria. Naturalmente, asumiendo todo lo que sois y tenéis, primero de debilidad y pecado, de fragilidad física, pero también de buscadores de verdad y de felicidad". "Por eso San Rafael es de gran actualidad", recalcó el arzobispo de Madrid, quien comentó que será uno de nuestros compatronos en la Jornada Mundial de la Juventud (JMJ) de 2011 pues, reiteró, "es un joven de este tiempo, por lo tanto lo tendremos muy en cuenta en la preparación y en las catequesis de las Jornadas. Y por su puesto en nuestra oración".

Con esta referencia había concluido minutos antes el Cardenal Rouco su homilía en la Basílica Vaticana, pidiendo al intercesión de San Rafael Arnáiz, "joven de la España nuestra, de nuestros días», para que la JMJ «sea acontecimiento de gracia para todos los jóvenes» y que «tengan el ardor de los primeros testigos del Evangelio, firmes en la fe».


Cardenal Antonio María Rouco Varela
Analisis Digital



sábado, 24 de outubro de 2009

SÃO RAFAEL ARNÁIZ / SAN RAFAEL ARNÁIZ – Voto de amar sempre a Jesus





O voto – San Isidro

Voto de amar sempre a Jesus


“Na oração desta manhã fiz um voto. Fiz o voto de amar sempre a Jesus.

Me dei conta de minha vocação. Não sou religioso..., não sou leigo..., não sou nada... Bendito Deus, não sou nada mais que uma alma enamorada de Cristo. Ele não quer mais que meu amor, e me quer desprendido de tudo e de todos.

Virgem Maria, ajuda-me a cumprir meu voto!

Amar a Jesus, em tudo, por tudo e sempre... Só amor. Amor humilde, generoso, desprendido, mortificado, em silêncio… Que minha vida não seja mais que um ato de amor.

Bem vejo que a vontade de Deus é que não faça os votos religiosos, nem seguir a Regra de São Bento. Hei de querer, eu, o que não quer Deus?


Jesus me manda uma enfermidade incurável; é sua vontade que humilhe minha soberba ante as misérias de minha carne. Deus me envia a enfermidade. Não hei de amar tudo o que Jesus me envie?

Beijo com imenso carinho a mão bendita de Deus que dá a saúde quando quer e a tira quando Lhe apraz.

Dizia Jó, que depois recebemos com alegria os bens de Deus. Por que não havemos de receber assim também os males? Mas acaso tudo isso me impede de amar-Lhe?... Não, com loucura devo fazê-lo.

Vida de amor, eis aqui minha Regra..., meu voto... Eis aqui a única razão de viver.

Começa o ano de 1938. Que me prepara Deus nele? Não sei... Talvez não importe?... Fora ofender-Lhe tudo o mais dá no mesmo... Sou de Deus, que faça comigo o que quiser. Eu hoje Lhe ofereço um novo ano, no qual não quero que reine mais que uma vida de sacrifício, de abnegação, de desprendimento, e guiada somente pelo amor a Jesus, por um amor muito grande e muito puro.

Quisera meu Senhor, amar-Te como ninguém. Quisera passar esta vida tocando o chão somente com os pés, sem deter-me em olhar em mim tanta miséria, sem deter-me em nenhuma criatura, com o coração abrasado de amor divino e sustentado pela esperança.

Quisera, Senhor, olhar somente ao céu, onde Tu me esperas, onde está Maria, onde estão os santos e os anjos, bendizendo-Te pela eternidade e passando pelo mundo somente amando tua lei e observando teus divinos preceitos.

Ah, Senhor, quanto quisera amar-Te!.... Ajuda-me, minha Mãe!.
Hei de amar a solidão, pois Deus nela me põe.
Hei de obedecer às cegas, pois é o que Deus me ordena.
Hei de mortificar continuamente meus sentidos.
Hei de ter paciência na vida de comunidade.
Hei de exercitar-me na humildade.
Hei de fazer tudo por Deus e por Maria”.


São Rafael Arnáiz Barón
Notas de consciência
01 de janeiro de 1938



EN ESPAÑOL:



El voto – San Isidro

Voto de amar siempre a Jesús


“En la oración de esta mañana he hecho un voto. He hecho el voto de amar siempre a Jesús.

Me he dado cuenta de mi vocación. No soy religioso..., no soy seglar..., no soy nada... Bendito Dios, no soy nada más que un alma enamorada de Cristo. Él no quiere más que mi amor, y lo quiere desprendido de todo y de todos.

Virgen María, ayúdame a cumplir mi voto.

Amar a Jesús, en todo, por todo y siempre... Sólo amor. Amor humilde, generoso, desprendido, mortificado, en silencio… Que mi vida no sea más que un acto de amor.
Bien veo que la voluntad de Dios, es que no haga los votos religiosos, ni seguir la Regla de san Benito. ¿He de querer yo lo que no quiere Dios?

Jesús me manda una enfermedad incurable; es su voluntad que humille mi soberbia ante las miserias de mi carne. Dios me envía la enfermedad. ¿No he de amar todo lo que Jesús me envíe?

Beso con inmenso cariño la mano bendita de Dios que da la salud cuando quiere, y la quita cuando le place.

Decía Job, que pues recibimos con alegría los bienes de Dios, ¿por qué no hemos de recibir así los males? ¿Mas acaso todo eso me impide amarle?... No..., con locura debo hacerlo.

Vida de amor, he aquí mi Regla..., mi voto... He aquí la única razón de vivir.
Empieza el año 1938. ¿Qué me prepara Dios en él? No lo sé... ¿Quizás no me importe?... Menos ofenderle me da lo mismo todo... Soy de Dios, que haga conmigo lo que quiera. Yo hoy le ofrezco un nuevo año, en el que no quiero que reine más que una vida de sacrificio, de abnegación, de desprendimiento, y guiada solamente por el amor a Jesús..., por un amor muy grande y muy puro.

Quisiera mi Señor, amarte como nadie. Quisiera pasar esta vida, tocando el suelo solamente con los pies. Sin detenerme a mirar tanta miseria, sin detenerme en ninguna criatura. Con el corazón abrasado en amor divino y mantenido de esperanza.

Quisiera Señor, mirar solamente al cielo, donde Tú me esperas, donde está María, donde están los santos y los ángeles, bendiciéndote por una eternidad, y pasaron por el mundo solamente amando tu ley y observando tus divinos preceptos.

¡Ah!, Señor, cuánto quisiera amarte. ¡Ayúdame, Madre mía!.
He de amar la soledad, pues Dios en ella me pone.
He de obedecer a ciegas, pues Dios es el que me ordena.
He de mortificar continuamente mis sentidos.
He de tener paciencia en la vida de comunidad.
He de ejercitarme en la humildad.
He de hacer todo por Dios y por María”.


San Rafael Arnáiz Barón
Notas de conciencia
01 de enero de 1938



quarta-feira, 21 de outubro de 2009

SÃO RAFAEL ARNÁIZ / SAN RAFAEL ARNÁIZ - Papel encontrado em um dos bolsos da sua túnica quando morreu





Papel encontrado em um dos bolsos da sua túnica quando morreu São Rafael Arnáiz Barón


Em um dos bolsos de seu hábito, escrito com lápis e muito desgastado, os monges encontraram, ao morrer Frei Maria Rafael Arnáiz Barón, um pequeno papel, um capítulo de faltas:


• Subir escada batendo pé. [Marcado]

• Não fazer saudação no Capítulo. [Marcado]

• Correr sem respeito na Igreja. [Marcado]

• Gestos durante o grande silêncio. [Marcado]

• Voltar a cabeça na Missa. [Marcado]

• Gestos falados com um professo. [Marcado]

• Não obedecer imediatamente à campainha. [Marcado]

• Equivocar-me no Coro, não fazer prostração. [Marcado]

• Dar mostras externas de impaciência. [Marcado]

• Perder tempo trabalho. [Marcado]

• Perder tempo olhar janelas. [Marcado]

• Perder tempo intervalos. [Marcado]

• Acenar exageradamente como leigo. [Marcado]

• Descuidado com quarto da enfermaria.

• Descuidado com fazer ruído na escada
e com as portas.

• Distrair-me no Coro e não fazer a tempo
as inclinações.


Vida y Escritos del Beato Fray María Rafael Arnáiz Barón
Pp.603-604



EN ESPAÑOL:



Papel encontrado en uno de los bolsillos de la túnica cuando murió San Rafael Arnáiz Barón


En uno de los bolsillos de su hábito, escrito con lápiz y muy estropeado, encontraron los monjes, al morir Rray María Rafael Arnáiz Barón, un pequeño papel, un capítulo de faltas:


• Subir escalera golpeando pie. [Tachado]

• No hacer saludo en Capítulo. [Tachado]

• Correr sin respeto en la Iglesia. [Tachado]

• Señas durante el gran silencio. [Tachado]

• Volver cabeza en Misa. [Tachado]

• Señas habladas con un profeso. [Tachado]

• No obedecer inmediatamente campana. [Tachado]

• Equivocarme Coro, no hacer postración. [Tachado]

• Dar muestras externas de impaciencia. [Tachado]

• Perder tiempo trabajo. [Tachado]

• Perder tiempo mirar ventanas. [Tachado]

• Perder tiempo intervalos. [Tachado]

• Accionar exageradamente como seglar. [Tachado]

• Descuidado con el cuarto de la enfermería.

• Descuidado con hacer ruido en la escalera
y con las puertas.

• Distraerme en el Coro y no hacer a tiempo
las inclinaciones.


Vida y Escritos del Beato Fray María Rafael Arnáiz Barón
Pp.603-604



terça-feira, 29 de setembro de 2009

Beato Rafael Arnáiz e São João da Cruz





“Sabemos que o Cântico de São João da Cruz é sua obra predileta e, além disso, reflexa fielmente a sua própria alma, pois o cantou e o viveu nos momentos decisivos de sua existência. O Cântico é a oração de um místico poeta que vive do amor de Deus e, por isso, é o poema mais completo e mais próximo de sua experiência. Na realidade, tomado em seu conjunto, tem muito de autobiografia espiritual. O amor que anima a vida inteira de São João da Cruz e inspira seus escritos assume no Cântico toda a força de uma vocação e de uma paixão.

Nesse sentido, alguém de muita autoridade, ao estudar «a experiência do Irmão Rafael à luz dos ensinamentos de São João da Cruz», disse:

«Ao querer comparar estas duas almas (São João da Cruz e o Irmão Rafael), ao tratar de explicar este encontro que se deu entre elas, tem que ter em conta a fortíssima paixão de Deus, que ambos padeceram e que é o segredo de suas vidas entregues. Sem dúvida, essa paixão foi vivida e manifestada com seus próprios matizes existenciais em cada um deles. Cada alma é uma alma. Mas com uma paixão cravada como um dardo no coração de um e de outro, e que é o que provoca o dinamismo vital em suas respectivas vidas.

São João da Cruz foi um de seus grandes amigos. Um de seus guias espirituais. O mais citado em seus escritos. Com ele sintonizou maravilhosamente sua alma endeusada. Ambos foram peregrinos do Absoluto. Sofreram a paixão de Deus. Paixão de amor e de dor. Paixão mística. Só Deus! Só Deus!, foi seu grito na noite. É o pessoal e o social que todos padecemos e que talvez nos acovarde, como um sinal de luz que Deus, por meio de Rafael, nos regala para despertar nossa pobreza de fé, de esperança e de amor. Nada e Tudo. Só Deus!» (Jiménez Duque, B., Espiritualidad del Hermano Rafael, pp.75,85, na Semana de Espiritualidade do Irmão Rafael, Monasterio Cisterciense de San Isidro de Dueñas, Palencia, 1984)”.


Fray Mª Alberico Feliz Carvajal, OCSO
Vida y Escritos del Beato Fray María Rafael Arnáiz Barón
Introducción, pp.52-53


En español:


Beato Rafael Arnáiz y San Juan de la Cruz


“Sabemos que el Cántico de San Juan de la Cruz es su obra predilecta y, además, refleja fielmente su propia alma, pues lo ha cantado y lo ha vivido en los momentos decisivos de su existencia. El Cántico es la oración de un místico poeta que vive del amor de Dios y, por eso, es el poema más completo y más cercano a su experiencia. En realidad, tomado en su conjunto, tiene mucho de autobiografía espiritual. El amor que anima la vida entera de San Juan de la Cruz y inspira sus escritos, asumen en el Cántico toda la fuerza de una vocación y de una pasión.

En este sentido, alguien, de mucha autoridad, al estudiar «la experiencia del Hermano Rafael a la luz de las enseñanzas de San Juan de la Cruz», ha dicho:

«Al querer comparar estas dos almas (San Juan de la Cruz y el Hermano Rafael), al tratar de explicar este encuentro que se ha dado entre ellas, hay que tener en cuenta la fortísima pasión de Dios, que ambos padecieron y que es el secreto de sus vidas entregadas. Sin duda esa pasión se ha vivido y manifestado con sus propios matices existenciales en cada uno de ellos. Cada alma es una alma. Pero con una pasión clavada como un dardo en el corazón de uno y de otro, y que es el que provoca el dinamismo vital en sus respectivas vidas.

San Juan de la Cruz fue uno de sus grandes amigos. Uno de sus guías espirituales. El más citado en sus escritos. Con él sintonizó a maravilla su alma endiosada. Ambos fueron peregrinos del Absoluto. Sufrieron la pasión de Dios. Pasión de amor y de dolor. Pasión mística. ¡Sólo Dios! ¡Sólo Dios!, fue su grito en la noche. Es el personal y social que todos padecemos y que quizá nos acobarda, como una consigna de luz que Dios, por medio de Rafael, nos regala para despertar nuestra pobreza de fe, de esperanza y de amor. Nada y Todo. ¡Sólo Dios!» (Jiménez Duque, B., Espiritualidad del Hermano Rafael, pp.75,85, en Semana de Espiritualidad del Hno. Rafael, Monasterio Cisterciense de San Isidro de Dueñas,Palencia, 1984)”.


Fray Mª Alberico Feliz Carvajal, OCSO
Vida y Escritos del Beato Fray María Rafael Arnáiz Barón
Introducción, pp.52-53


A mística do Beato Rafael Arnáiz





A mística do Irmão Rafael Arnáiz


“A mística do Irmão Rafael flui e reflui por todos os poros de sua pessoa, não somente quando escreve, pensa e compõe, mas também quando esboça, desenha e pinta. Traduzindo plasticamente seus sentimentos mais profundos com seu espírito e sensibilidade de artista, nos pintará, já não só o «monte da perfeição», rematado pela Cruz, mas «o cervo correndo com insaciáveis ânsias de Deus»: sua «busca de amores, passando por fortes e fronteiras» e, sobretudo, «a alma na cruz» que, em frase paulina, significa a plena identificação com Cristo e que, começando por uma coroa de espinhos a seus pés, termina com o dardo da transverberação da mais alta mística.

Nesse sentido, nos deixou preciosas interpretações feitas a pincel ou a simples pena, traduzindo as palavras dos salmos ou explicando plasticamente as poesias mais elevadas de São João da Cruz em estampas de alto valor extraordinário e místico. Assim, teremos: «Estrangeiro sou na terra» (Sl 118, 19), «Que se prostre ante Ti a terra inteira» (Sl 65. 4), «Escolhi o caminho da verdade» (Sl 118, 30). É o que nos expressa o Irmão Rafael quando, por força da sua experiência mística, plasma em estampas as canções de São João da Cruz”.


Fray Mª Alberico Feliz Carvajal, OCSO
Vida y Escritos del Beato Fray María Rafael Arnáiz Barón
Introducción, p.52


En español:


La mística del Beato Hermano Rafael Arnáiz

“La mística del Hno.Rafael fluye y refluye por todos los poros de su persona, no sólo cuando escribe, piensa y compone, sino también cuando bosqueja, dibuja y pinta. Traduciendo plásticamente sus sentimientos más profundos con su espíritu y sensibilidad de artista, nos pintará, ya no sólo el «monte de la perfección», rematado por la Cruz, sino «el ciervo corriendo con insaciables ansias de Dios»: su «búsqueda de amores, pasando fuertes y fronteras», y sobre todo «el alma en cruz» que, en frase paulina, significa la plena identificación con Cristo, y que, comenzando por una corona de espinas a sus pies, termina con el dardo de la transverberación de la más subida mística.

En este sentido, nos ha dejado preciosas interpretaciones hechas a pincel o a simple plumilla, traduciendo las palabras de los salmos o explicando plásticamente las poesías más elevadas de San Juan de la Cruz en estampas de exquisitez extraordinaria y mística. Así, tenemos: «Extranjero soy en la tierra» (Sal 118, 19), «Que se postre ante Ti la tierra entera» (Sal 65. 4), «Escogí el camino de la verdad» (Sal 118, 30). Es lo que expresa el Hno.Rafael cuando, en fuerza de su experiencia mística, plasma en estampas las canciones de San Juan de la Cruz”.


Fray Mª Alberico Feliz Carvajal, OCSO
Vida y Escritos del Beato Fray María Rafael Arnáiz Barón
Introducción, p.52


segunda-feira, 27 de julho de 2009

Fray María Rafael: Se houvesse que dar cem vidas por Jesus




“Se houvesse que dar cem vidas, as daríamos por Jesus. Levo um mundo dentro de mim tão grande, tão grande, que não podes imaginar, e entretanto, tão simples: não consiste mais que em um amor muito grande a Jesus e uma ternura infinita a Maria. Que mais posso desejar?”.


En español


Fray María Rafael: Si hubiera que dar cien vidas por Jesús

“Si hubiera que dar cien vidas, las daríamos por Jesús. Llevo un mundo dentro de mí, tan grande, tan grande que no te puedes imaginar, y sin embargo, tan sencillo: no consiste más que en un amor muy grande a Jesús y una ternura infinita a María. ¿Qué más puedo desear?”


Fray María Rafael
Cartas (96)-347


Beato Rafael Rafael Arnáiz: O amor a Deus e a vida interior



“O mundo não sabe o que é amar a Deus. Na Trapa, com o silêncio com meus irmãos, todo esse amor contido em minha alma subirá até Deus no silêncio e por mediação da Senhora. No mundo também há almas que não querem mais que amar; amar a Deus, derreter-se, fundir-se cada vez mais nesse amor a Deus que é a única razão de existir no mundo.

Tua vida interior: amar a Deus. E tua vida no mundo? Não tens mais que obedecer humildemente o que te dite esse amor a Deus que levas dentro. Se amas a Deus e o amas de todo, não te amarás a ti mesmo. Amando a Deus já tens oração, embora não creias nisso. Em que consiste a tua oração? Em atos seguidos de amor a Deus.

Do amor a Deus sai tudo. Se aperfeiçoares esse amor, que é tua única vida interior, tudo o mais não tem importância. Esse mesmo amor te fará ser humilde, mortificado, caridoso; te fará ser santo, santo por amor; santo única e exclusivamente por amor. Vês que fácil? Que caias, te desalentes, não importa. O milagre do amor faz tudo. Pede à Senhora esse amor que Ela tinha por seu Filho. Por esse amor pôde a Virgem resistir a tudo. Por amor e nada mais. Por amor teve humildade, por amor foi a mais santa das mulheres.

Que tua vida seja um contínuo ato de amor a Jesus”.


En español


El amor a Dios y la vida interior

“El mundo no sabe lo que es amar a Dios. En la Trapa, con el silencio con mis hermanos, todo ese amor contenido en mi alma, subirá hasta Dios en silencio y por mediación de la Señora. En el mundo también hay almas que no quieren más que amar; amar a Dios, derretirse, hundirse cada vez más en ese amor a Dios que es la única razón de existir en el mundo.

“Tu vida interior: amar a Dios. ¿Y tu vida en el mundo? No tienes más que obedecer humildemente lo que te dicte ese amor a Dios que llevas dentro. Si amas a Dios y le amas del todo, no te amarás a ti mismo. Amando a Dios ya tienes oración, aunque no lo creas. ¿En qué consiste tu oración? En actos seguidos de amor de Dios.

“Del amor a Dios sale todo. Si perfeccionas ese amor que es tu única vida interior, todo lo demás no tiene importancia. Ese mismo amor te hará ser humilde, mortificado, caritativo; te hará ser santo, santo por amor; santo único y exclusivamente por amor. ¿Ves qué fácil? Que caes, te desalientas, no importa. El milagro del amor lo hace todo. Pídele a la Señora ese amor que Ella tenía a su Hijo. Por eso amor pudo la Virgen resistir todo. Por amor y nada más. Por amor tuvo humildad, por amor fue la más santa de las mujeres.

Que tu vida sea un continuo acto de amor a Jesús”.


Irmão Rafael Arnáiz
Cartas C(116)-544; C(113)-511, 512



Fray María Rafael: Descascar nabos por amor a Jesus Cristo




“O que estou fazendo?...Descascar nabos por amor, por amor a Jesus Cristo... Só sei dizer que no mundo se podem fazer das mais pequenas ações da vida, atos de amor de Deus. O descascar nabos por verdadeiro amor a Deus pode dar a Ele muita glória e a nós tantos méritos quanto a conquista das Índias”.


En español


Fray María Rafael: Pelar nabos por amor a Jesucristo

“¿Que qué estoy haciendo?...Pelar nabos por amor, por amor a Jesucristo… Sólo sé decir que en el mundo se pueden hacer de lás más pequeñas acciones de la vida, actos de amor de Dios. El pelar nabos por verdadero amor a Dios le puede a El dar tanta gloria y a nosotros tantos méritos como la conquista de las Indias”.


Fray María Rafael
Mi Cuaderno (161)-774



domingo, 31 de maio de 2009

Beato Rafael Arnáiz em Pentecostes: “Que grande é Deus!”




Pentecostes 1936

San Isidro


“Que grande é Deus!
Esta é a primeira exclamação que sai de um coração deveras enamorado de Jesus, quando à vista do mundo exterior que rodeia o monge, contempla as maravilhas da criação.

Que grande é Deus!
Volta a exclamar quando, cerrando os olhos a tudo que é criatura, a tudo que é externo, concentra a vista em sua própria alma, busca-O em seu coração e se retira ao silêncio.

Que grande é Deus!
Eis aqui a única, a contínua meditação deste Trapista, que segue a sua Regra em silêncio, bem ou mal. Ao fim de tudo é homem imperfeito, mas isso não importa... Que se pode esperar de um barro com tanta aspereza? Não importa, se ainda em meio de suas fraquezas e de suas misérias e com os olhos ainda carregados de sonho canta no coro: que grande é Deus!

Que grande é Deus!
Quando a lei de sua vida, que é a lei de Deus, lhe chama ao trabalho e, encurvado, se agacha suado sobre a terra.

Que grande é Deus!
Quando no silêncio dos claustros, espera com fé e com rosto serenoa que o Senhor lhe chame.

Que grande é Deus!
E quando por último se vai escondendo o sol e acabando o dia, e esse Trapista para terminar a jornada se prostra ante a Virgem Maria e ante seus pés põe as obras do dia.

Que grande é Deus!”


En español


“¡Qué grande es Dios!
Ésa es la primera exclamación que sale de un corazón de veras enamorado de Jesús, cuando a la vista del mundo exterior que rodea al monje, contempla las maravillas de la creación.

¡Qué grande es Dios!
Vuelve a exclamar cuando, cerrando los ojos a todo lo que es criatura, a todo lo que es externo, reconcentra la vista en su propia alma, le busca en su corazón y se retira al silencio.

¡Qué grande es Dios!
He aquí la única, la continua meditación de ese trapense, que sigue su Regla en silencio, bien o mal. Al fin de todo es hombre imperfecto, pero eso no importa… ¿Qué se puede esperar de un barro con tanta aspereza? No importa, aun en medio de sus flaquezas y de sus miserias, cuando con los ojos aún cargados de sueño canta en el coro
¡qué grande es Dios!

¡Qué grande es Dios!
Cuando la ley de su vida, que es la ley de Dios, le llama al trabajo y, encorvado, se agacha sudoroso sobre la tierra.

¡Qué grande es Dios!
Cuando en el silencio de los claustros, espera con fe y con rostro sereno a que el Señor le llame.

¡Qué grande es Dios!
Y cuando por último se va ocultando el sol y acabando el día, y ese trapense para terminar la jornada se postra ante la Virgen María y ante sus pies pone las obras del día.

¡Qué grande es Dios!”


Dos escritos de Rafael
Meditações de um Trapista



Beato Rafael e a Água Viva





“Não olhes a capacidade do vaso, nem se transborda ou não a Água. Olha a pureza desta Água, seu frescor, sua limpidez...Olha se nessa Água que te preenche não há nada que a turve”.


En español


“No mires la capacidad del vaso, ni si rebosa o no el Agua. Mira la pureza de esta Agua, su frescor, su limpieza… Mira si en esa Agua que te llena no hay nada que la enturbe”.


Dos escritos de Rafael
Cartas (101)-400



Em Pentecostes Rafael Arnáiz se perde em Deus





Pentecostes 1936

San Isidro



“Na vida espiritual, na vida interior, não há princípio nem fim. Não há mais que Deus, e sempre, depois de qualquer reflexão, se vê de uma maneira ou de outra, tão pequeno, tão miúdo e insignificante, tão nada diante d’Ele, que somente fica na alma essa impressão tão difícil de explicar... Essa impressão da imensidade e da grandeza de Deus... Esse sentimento ante o qual a palavra emudece...Quisera a alma não se ver, desaparecer, não ser nem existir, e somente a grandeza de Deus. Enfim, me perco...”.


En español


“En la vida espiritual, en la vida interior, no hay principio ni fin. No hay más que Dios, y se mire de una manera o de otra, siempre, después de cualquier reflexión, se uno tan pequeño, tan menudo e insignificante, tan nada delante de Él, que solamente queda en el alma esa impresión tan difícil de explicar…Esa impresión de la inmensidad y grandeza de Dios… Ese sentimiento ante el cual la palabra enmudece…quisiera el alma no verse, desaparecer, no ser ni existir, y solamente la grandeza de Dios…En fin, me pierdo...”.


Dos escritos de Rafael
Meditações de um Trapista



domingo, 26 de abril de 2009

FESTA DO BEATO RAFAEL ARNÁIZ BARÓN: A heroicidade de um apagamento total – 1ª parte




FESTA DIA 26 DE ABRIL

A heroicidade de um apagamento total – 1ª parte

Por Irmã Clara Isabel Morazzani Arráiz, EP

Frequentemente julga-se que o pleno desenvolvimento de um homem consiste em ser bem sucedido na vida, galgar altos postos, conquistar prestígio, obter uma importante fortuna. Não é este, porém, o ensinamento que emana dos Livros Sagrados.

O grande êxito da vida do Irmão María Rafael foi aceitar o aparente fracasso de seu ideal, conformando-se inteiramente à vontade divina. Nada foi aos olhos humanos, mas foi santo aos olhos de Deus, que julga pelo coração, e não pelas aparências.


Frequentemente julga-se que o pleno desenvolvimento de um homem consiste em ser bem sucedido na vida, galgar altos postos, conquistar prestígio, obter uma importante fortuna. Não é este, porém, o ensinamento que emana dos Livros Sagrados, referindo-se a quem se afana em ajuntar riquezas, sem utilizá- las para glorificar a Deus: "Não permanecerá o homem que vive na opulência: ele é semelhante ao gado que se abate" (Sl 48, 13). Ou: "Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vem a perder-se a si mesmo e se causa a sua própria ruína?" (Lc 9, 25).

Para Deus importa, antes de tudo, que o homem se conforme com Sua santa vontade. E esta não pede o mesmo a todas as almas: a umas designará para ocupar altos cargos ou distinguir-se pelas obras, desde que sempre centradas no amor a Deus; a outras chamará para a renúncia e o sacrifício. Tanto umas quanto outras serão grandes diante de Deus, e as segundas não terão menos mérito que as primeiras. O tribunal divino não julga pelas aparências exteriores, mas segundo o grau de docilidade à vontade de Deus. A história do Beato Rafael oferece um exemplo dessa entrega plena e desinteressada de uma vida que poderia ter atingido um grande esplendor mundano.



Um menino privilegiado

Rafael Arnáiz Barón nasceu em Burgos, Espanha, a 9 de abril de 1911, numa aristocrática família. Seus pais, católicos fervorosos, educaram-no com esmero na prática dos Mandamentos e no amor à virtude. Aos 10 anos, vendo-se impossibilitado de acompanhar seus colegas à Missa de domingo, por estar enfermo, suplicou a um Sacerdote que lhe levasse o Santíssimo Sacramento. Impressionado com a piedade daquela criança, o Padre acedeu e, a partir daí, Rafael nunca mais abandonou a Comunhão dominical.

Diante do olhar profundo do jovem Rafael, seu futuro se descortinava em tons róseos e azulados. Sua inteligência penetrante, a vivacidade de sua conversa e seu trato ameno conquistavam-lhe todas as simpatias e aumentavam o atrativo natural que exercia sobre os que dele se aproximavam. Um marcado pendor artístico veio completar o encanto de sua pessoa.

Rafael, porém, parecia feito mais para a contemplação das coisas celestes que para as banalidades da vida terrena. Levava uma vida semelhante à dos outros moços de sua idade, mas seu olhar voava com facilidade até Deus. Dir-se-ia que sua nobre alma experimentava o exílio deste vale de lágrimas e ardia em desejos de horizontes sublimes. A resposta da Providência a tais anseios, plantados por ela mesma naquele inocente jovem, não se faria esperar.



Na juventude, o despontar da vocação

Aos 19 anos, estando na casa de seu tio em Ávila, foi solicitado a levar uma carta ao Abade do Mosteiro Trapista de San Isidro de Dueñas. Essa visita seria para ele a clarinada reveladora de sua vocação.

"Aquilo que vi e passei na Trapa, escreveria ele mais tarde, as impressões que tive nesse santo mosteiro, não podem ser explicadas; pelo menos eu não sei explicá-las, somente Deus o sabe. O que mais me impressionou foi o canto da Salve Regina, ao escurecer, antes de irem deitar-se. Aquilo foi algo sublime".

Com efeito, desde a época de São Bernardo, era costume nos Mosteiros cantar a Salve Regina logo após as Completas, em homenagem à Santíssima Virgem. Diante da unção daquele hino entoado por mais de 50 religiosos revestidos de brancos hábitos, Rafael sentiu-se convidado a imitá-los. Nesse dia, o projeto de dar-se à vocação monacal começou a germinar em sua mente.

Ele continuou a levar sua vida comum. Dados os seus dotes para o desenho, estudou dois anos na escola de arquitetura, em Madri. Entretanto, a graça operara em seu interior uma verdadeira transformação, como ele mesmo descreve:

"Ali na Trapa, a sós com Deus e a própria consciência, muda-se o modo de pensar, o modo de sentir e, o mais importante, o modo de agir nos atos do mundo".




A decisão de abraçar a vida religiosa

Em 1933, estando de novo em Ávila, Rafael surpreendeu seu tio com uma notícia: estava resolvido a abandonar o mundo e ingressar na Ordem Trapista, sem mesmo avisar seus pais, residentes ao norte do país, na cidade de Oviedo. Assim descreve seu tio a impressão que lhe causou a decisão do sobrinho: "Rafael era débil fisicamente, mas a fortaleza que faltava a seu corpo tinha em sua alma medida completa e transbordante. Sua vontade era de aço; eu tinha a firme convicção de que aquela determinação era de Deus; não era um capricho, nem uma impressão, nem um engano; era o fruto divino de uma correspondência à graça, que o Espírito Santo dignava-se sustentar com um de seus mais preciosos dons: o da fortaleza".

Para demovê-lo de sua resolução de não ir antes a Oviedo, seu tio recorreu ao Núncio Apostólico, que se encontrava em Ávila. Ante o desejo da autoridade religiosa, Rafael dobrou-se, por amor à obediência, reconhecendo naquela ordem o primeiro passo rumo à cruz, que desejava abraçar.

Partiu para Oviedo e lá, após comemorar o Natal numa aparente alegria, comunicou a seus pais a decisão que tomara. Estes, como bons cristãos, acolheram-na com verdadeira emoção, agradecendo a dádiva que o Senhor lhes concedia.


(Continua)



FESTA DO BEATO RAFAEL ARNÁIZ BARÓN: A heroicidade de um apagamento total – 2ª parte





A heroicidade de um apagamento total – 2ª parte


Por Irmã Clara Isabel Morazzani Arráiz, EP

(Continuação)


Uma nova etapa na vida do jovem Rafael

Para o jovem Rafael começava uma nova etapa: deixava para trás as comodidades, o carinho familiar, os passatempos mundanos, as promessas de um brilhante porvir. Sobretudo, renunciava àquilo que a criatura humana possui de mais arraigado: a vontade própria. Doravante esta se acharia inteiramente conformada à vontade divina.

No dia 15 de janeiro de 1934, as portas da Trapa abriam-se para o jovem postulante. Seu coração estava cheio de bons propósitos, que ele resumiu com estas palavras escritas poucos dias antes:

"Quero ser santo, diante de Deus, e não dos homens; uma santidade que se desenvolva no coro, no trabalho, sobretudo, no silêncio; uma santidade conhecida somente de Deus e da qual nem mesmo eu me dê conta, pois, então, já não seria verdadeira santidade".


Essa santidade seria alcançada em meio a indizíveis sofrimentos e provações, na aparente inutilidade, sem em nada manifestar-se exteriormente.

O primeiro período de vida religiosa foi para Rafael um verdadeiro paraíso. Se os jejuns e as mortificações por vezes arrancaram-lhe algumas lágrimas, sua alma sentia-se inundada de consolações. A humildade que demonstrava ao acusar-se de suas faltas no capítulo de culpas e sua atitude estática diante do tabernáculo impressionavam favoravelmente a comunidade, que logo se lhe afeiçoou.


A dura prova da enfermidade

Para Rafael, o rompimento com o mundo já ficara definitivamente para trás. Porém, não eram estes os desígnios divinos. Gozava de grande felicidade espiritual quando, em maio, sentiu os primeiros sintomas da doença que o levaria à morte. O abatimento de suas forças obrigou-o a ser transferido para a enfermaria. Pouco tempo depois, o médico diagnosticava uma diabetes sacarina que progredia de forma alarmante e exigia um tratamento apropriado, que só poderia ser-lhe ministrado fora do Mosteiro.

Começava para ele a subida ao calvário, a aceitação submissa do cálice que lhe era oferecido. Via-se obrigado a voltar para o mundo, ao qual tão generosamente havia renunciado!

Seu confessor, Padre Teófilo Sandoval, narra a cena de sua partida do Mosteiro: "Os suspiros e as lágrimas do angustiado Rafael faziam-me ver que em seu interior se desenrolava uma tremenda crise espiritual que lhe oprimia o coração. Quando deixei o mundo - dizia-me - despedi-me de todos até a eternidade, e pela imprensa, Astúrias inteira soube que a graça havia triunfado em mim, sobre a natureza... Agora volto para lá desfeito, inútil, com a mortalha dentro da mala... O que dirá o mundo, tão propenso a se escandalizar? Eu quero morrer aqui, quisera que esta noite fosse a última de minha vida! Diante dessas expressões, compreendi que Rafael havia penetrado na terrível noite escura do sentido, do coração ."

Rafael voltou para sua casa. O médico que o atendeu disse aos pais de Rafael que seu estado era gravíssimo e que rezassem muito. Mas em algumas semanas verificou-se uma melhora em sua saúde e pôde aos poucos ir retomando a vida normal. Exteriormente aparentava ser o mesmo Rafael de antes, com sua alegria contagiante e sua sensibilidade artística. Uma profunda mudança, porém, efetuara-se em sua alma, modelando-a por inteiro. Experimentava outra alegria, aquela que só às almas amantes da cruz é dado conhecer.


Assim escreveu ele a um de seus superiores, algum tempo depois de sua saída do Mosteiro:

"Quando fui para a Trapa, entreguei-Lhe, a Deus, tudo quanto tinha e tudo quanto possuía: minha alma e meu corpo. Minha entrega foi absoluta e total. Justo é, pois, que Deus agora faça de mim o que Lhe pareça e o que Lhe agrade, sem queixa alguma de minha parte, movimento algum de rebeldia. Deus não somente aceitou meu sacrifício quando deixei o mundo, mas pediu-me maior sacrifício ainda, o de voltar a ele... Até quando? Deus tem a palavra. Ele dá a saúde, Ele a tira".


Essas palavras refletem bem o espírito de obediência com o qual acolhia a prova enviada pela Providência. Um ano e meio haveria de durar aquele exílio, durante o qual seu amor a Deus não fez senão crescer e sublimar-se. Ao ingressar na Trapa, despojara-se de tudo, mas conservava ainda o desejo de chegar a ser um bom trapista, de se tornar sacerdote; buscava-se a si mesmo, como mais tarde afirmaria. Deus, como Pai boníssimo, educava-o de forma a purificar sua alma daquelas asperezas tão legítimas, mas ainda humanas.

Por fim, Rafael implorou ser readmitido na Trapa na qualidade de oblato, uma vez que seu estado de saúde não lhe permitia adaptar-se ao regime da vida monacal.

Em janeiro de 1936, entrou pela segunda vez. Lá o esperavam novas tribulações: isolado na enfermaria, sujeito a um regime alimentício que provocava críticas dos companheiros, sofrendo algumas incompreensões, Rafael sentia-se inteiramente só. Dada sua debilidade física, proibiram-lhe até de participar do cântico do Ofício na Igreja. A esses sofrimentos juntavam-se terríveis tentações que lhe sugeriam a idéia de ter errado de vocação. Ele tudo enfrentava com vigor de espírito e um inalterável sorriso nos lábios.

Ainda por duas vezes a enfermidade o tiraria de seu amado Mosteiro, mas novamente a ele voltaria, convencido de ser aquele o lugar que lhe designara a vontade divina, apesar dos obstáculos que esta mesma parecia lhe opor.


Os últimos meses de vida

Os derradeiros meses da vida de Rafael foram os últimos passos até o cimo do calvário que se propusera galgar, como o refletem os escritos dessa época, embebidos de intensa espiritualidade e amor à perfeição.

Sua alma atingia aquela indiferença recomendada por Santo Inácio, pela qual o homem nada deseja para si e deixa-se levar pelo beneplácito divino. Uma única paixão dominava- lhe o coração: Deus!

"Tudo o que faço, é por Deus. As alegrias, Ele as manda; as lágrimas, Ele as dá; o alimento, tomo-o por Ele; e quando durmo, faço-o por Ele. Minha regra é Sua Vontade, e Seu Desejo é minha lei".



Entretanto, a enfermidade progredia a passos rápidos. Pela doença, Rafael padecia fome e, sobretudo, sede... Uma sede insaciável e devoradora que o acompanharia até os últimos instantes. Ele, porém, nada deixava transparecer no exterior, dando a todos a impressão de encontrar-se melhor.

No fim do mês de abril já não pôde mais ocultar seu alarmante estado. Aos delírios da febre sucediam-se instantes de lucidez, durante os quais manifestava-se sereno e resignado. Recebeu a unção dos enfermos no dia 25, mas Deus pediu-lhe o sacrifício de ver-se privado do viático. Às palavras alentadoras que lhe dirigiam os Monges, procurando infundir-lhe a esperança da cura, Rafael respondia estar convencido de que logo partiria para o Céu.

Faleceu na manhã do dia 26 de abril de 1938, em consequência de um coma diabético. Sua fisionomia plácida e seu sorriso refletiam a glória de que sua alma já gozava na eterna bem-aventurança.


Uma alma enamorada de Cristo

Sob o ponto de vista humano, sua curta vida parece ter sido um monumental fracasso: não completou a carreira, não se projetou na sociedade, não realizou seus sonhos de sacerdócio, nem mesmo teve o consolo de observar a regra trapista e emitir os votos.

Não foi assim aos olhos de Deus, que não julga pelas aparências, mas sim segundo o coração. Rafael praticou uma forma de santidade peculiar: sua alma enamorada de Deus atingiu a heroicidade das virtudes em meio ao silêncio, à dor e ao apagamento mais completos.

Sirva-nos seu exemplo de humildade e de caridade ardente para, também nós, aceitarmos com alegria aquilo que a Divina Vontade quiser nos mandar.

"Dei-me conta de minha vocação. Não sou religioso... não sou leigo..., nada sou... Bendito seja Deus, não sou nada mais que uma alma enamorada de Cristo. Vida de amor, eis minha Regra... meu voto... Eis a única razão de viver".




Por Irmã Clara Isabel Morazzani Arráiz, EP



domingo, 22 de fevereiro de 2009

O caminho da Cruz é doce




"O doce caminho da cruz...É o caminho do sacrifício, da renúncia, às vezes da batalha sangrenta que se resolve em lágrimas no Calvário ou no Horto das Oliveiras...O caminho, Senhor, é ser o último, o enfermo, o pobre oblato trapista que às vezes sofre junto à Cruz".

Dos escritos de Rafael


sábado, 21 de fevereiro de 2009

Palavras de um parente de Rafael, 1ª parte




Palavras de um parente de Rafael, 1ª parte

Escrito por Bruno, do Blog Religión en Liberdad

O Irmão Rafael, por fim Santo!

Uma das grandes bênçãos que Deus me regalou pelo tempo que dedico a este Blog foi a oportunidade de conhecer muitas pessoas interessantes: companheiros de caminho até a Pátria eterna dentro da Igreja, Sacerdotes, Religiosos, famílias em missão, convertidos, nobres adversários em mil e uma discussões...

Uma dessas pessoas que agradeço a Deus haver conhecido atrav´s deste Blog é parente do Irmão Rafael. Assim que pensei pedir-lhe que escrevesse umas linhas sobre este Santo. Que maravilha ter um Santo na família! Com grande acerto, foi contando algo sobre a sua vida, com frases do próprio Rafael.

Não sei se os leitores sabem que recentemente foi aprovado o milagre que permitirá a canonização deste Santo espanhol do séc XX, que foi beatificado por João Paulo II em Madri há alguns anos. Sua vida, humanamente, não teve relevância. Entrou como monge para a Trapa de San Isidro de Dueñas aos 23 anos. Seu tempo no Mosteiro foi humanamente um desastre: enfermidade atrás de enfermidade, teve que abandonar por três vezes o Mosteiro e, finalmente, a morte por diabetes aos 27 anos de idade. Entretanto, seus escritos e desenhos nos deixaram um retrato do que é a santidade: o cumprimento, mediante a Graça que transforma nossa debilidade, da Vontade de Deus, seja ela qual for.

“Estimado Bruno,

Com respeito ao seu amável convite para escrever algo sobre Rafael Arnáiz, lhe envio as seguintes reflexões, frases dele e passagens de sua vida, fincando pé em sua passagem pela Faculdade de Arquitetura, talvez porque nós compartilhamos essa vocação.


Devendo começar por alguma parte, o faço destacando que o caminho espiritual deste Santo começa na família. Seus pais se esforçaram por construir um lugar para a família de acordo com Deus, o qual girava em torno do amor, da fé e da cultura no mais alto nível. Rafael Arnáiz, o pai, era engenheiro de Montes e em certas ocasiões se fazia acompanhar ao trabalho por seu filho mais velho, percorrendo a formosa e variada geografia asturiana, o que permitiu ao menino aprender da técnica e da natureza. Esses passeios com o pai, as conversas inteligentes sobre diversos temas, em especial os transcendentes, o ajudaram a descobrir Deus na beleza da criação, motivando-lhe a essa oração espontânea e íntima que praticou por toda a sua vida:

‘Se me impressiona uma paisagem é porque nela vejo Deus; e as cores, os ventos e o sol são obras suas’

A mãe, Mercedes Baron, mulher piedosa, lhe ensinou as primeiras orações, assim como também a afeição pela música, o teatro e a pintura.

‘Passei um dia feliz, debruçado sobre a prancheta..., mas pensando bem, não são os pincéis e as cores que alegram as minhas horas de trabalho; é o trabalho mesmo, é a Cruz que estou desenhando, a causa de minha alegria’.

(continua)


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Vou, Senhor


“Vou, Senhor...
Não me importa que o caminho
por onde me leves seja difícil,
seja abrupto e
esteja cheio de espinhos...
Vou, Senhor...
Porque és Tu o Único que
preenche minha alma”


Dos escritos de Rafael


terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Do suplício de penas ao abismo da fé




“Do suplício de penas ao abismo da fé, o Beato Rafael Arnáiz Barón (1911-1938), que passou sua adolescência em Oviedo e se encaminha à canonização, é considerado um dos grandes místicos do século XX.

A canonização do Beato Rafael poderia celebrar-se no prazo de um ou dois anos, depois que os consultores médicos da Congregação para a Causa dos Santos admitiram como milagrosa a cura de uma mulher de Madri às portas da morte e por quem rezou sua melhor amiga, invocando este Religioso Trapista, cuja adolescência e juventude transcorreram em Oviedo.

Rafael Arnáiz viveu junto a sua família na capital asturiana entre 1923 e 1932. Em 1934 ingressou no Mosteiro de San Isidro de Dueñas, o qual teve que abandonar 3 vezes por causa de uma galopante diabetes. Faleceu em 1938, mas vestido com o hábito cisterciense e depois de haver alcançado a sua união com Deus. É Beato desde 1992”.

J.Moran Gijón